Arquivo de janeiro \28\UTC 2010

De repente 30

Opção

Estamos em 1962, e você é o presidente dos Estados Unidos. Acabou de ser informado de que a URSS lançou uma bomba atômica sobre NY. Você sabe que eles não voltarão a atacar.
À sua frente está o telefone para o Pentágono. O botão com o qual você pode retaliar bombardeando Moscou.
Você está prestes a apertar esse botão. A política do país é retaliar na mesma moeda um ataque nuclear. Essa política foi concebida para intimidar os atacantes; se você não seguir, a intimidação terá sido uma farsa.

Por outro lado, você reflete, o mal já está feito. Matar milhões de russos não trará milhões de americanos de volta mortos de volta à vida. A bomba acrescentará precipitação radioativa na atmosfera, prejudicando seus próprios compatriotas. E você entrará para a história como um dos piores assassinos de multidões de todos os tempos. A retaliação agora seria por puro rancor.

Mas foi precisamente essa linha de raciocínio que encorajou os soviéticos a atacar. Eles sabiam que, uma vez lançada a bomba, você nada teria a ganhar e teria muito a perder se retaliasse. Julgaram que você estava blefando e pagaram pra ver. Portanto é melhor você retaliar para mostrar a eles que não estava blefando.
Mas, pensando bem, de que serve provar agora que você não estava blefando antes? O presente não pode afetar o passado. Permanece o fato de que, se você apertar o botão, extinguirá milhões sem razão.

Mas espere-os soviéticos sabem que você pensaria que não tem sentido provar que não estava blefando depois de eles terem tentado provar que você estava blefando. É por isso que pagaram pra ver. O próprio fato de você estar pensando dessa maneira acarretou a catástrofe-por isso, você não deve pensar dessa maneira.

Mas não pensar dessa maneira agora é tarde demais…
Você amaldiçoa sua liberdade. Seu apuro está em ter a opção de retaliar e, como retaliar não é do seu interesse, você pode decidir não faze-lo, exatamente como previam os soviéticos.

Steven Pinker

Alice (beta)

Escrito em um momento de euforia criativa. Ainda com alguns erros.

Alice era uma garota atrevida e esbelta. Com seus poucos <insira maioridade sexual do seu país aqui> anos já esboçava nuances das mais sedutoras ninfas. Uma pela branca, um rosto inocente com bochechas fofinhas e seus olhos, ah seus olhos, uma imensidão de mares e rios que brilhavam com a luz do sol e mesmo na escuridão se destacavam como que com luz própria, uma dádiva dos deuses. Seu andar suave hipnotiza os olhares de quem vê, transforma em pedra os que se atrevem a observar os seus singelos movimentos. Sob um vestido branco e límpido ela corta o vento em em direção ao por do sol. Olhar distante, mente distante. Sua presença angelical é arrebatadora.

Já na noite quente ela chega em casa, sua pele brilha o suco da alma. Suas bochecas estão avermelhadas e ela ofega com um olhar clamante por aconchego. Dentro de casa, fecha as cortinas e deixa que o silêncio presencie a perfeição carnal daquele corpo. Com as duas mãos ela solta o vestido o deixando escorregar sobre seu corpo quente e suado revelando a mais perfeita arte dos céus. Uma brisa fria sem origem aparente adentra pela casa e faz aquele corpo tremer fazendo-a soltar um pequeno gemido e se recolher para seu quarto, rapidamente, sem mais suavidade no andar. Ela precisa de calor.

Já no quarto ela agarra um tecido macio­ e se dirige ágil ao banheiro. Abre a o chuveiro e escuta a água cair ao chão respingando gélidas gotas em suas pernas. Ela se afasta, se inclina e com as pontas dos dedos magros e toca a corrente. A água está boa.

Agora é a água que tem privilégio de se perder por aquela escultura de pureza celestial adentrando com fervor pelos mais obscuros e delicados caminhos da sua forma humana. De repente uma energia desconhecida sobe pelo seu corpo fazendo seus músculos se contraírem como que por vontade própria. Ela sente a fonte dessa energia e procura com anseio por mais, sacrificando assim sua inocência e entregando sua alma ao demônio dos prazeres carnais. O pecado é bom.

Com um carinho ela inicia sua jornada para fora do Éden. Apreciando uma última vez sua pureza divina e caindo em direção à um mundo confuso e ao mesmo tempo excitante.

Seu dedo indicador desce e sobe,  caminha de ponta a pela porta do inferno. Ela já não é mais consciente de seus atos. Os olhos reviram e seus dentes apertam contra os lábios. Suas virilhas se unem e quase a faz perder o equilíbrio. Agora quatro dedos participam da festa. Entre lábios e abismos eles penetram na escuridão. Sua mão agora é dominada por um movimento repetitivo incessante. Alice solta um gemido com a voz doce e infantil, um gemido longo. Ela está de volta ao chão. Visão embaçada e consciência confusa. Não demora muito ela percebe o que fez. Fecha o chuveiro, se enrola na toalha. Ao passar pelo espelho em direção ao quarto, sorri para si com malícia de criança no olhar.

Ah, doce maçã.



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